Novembro 04, 2009

Hemerocallis

"A garden is the purest of human pleasures."
Verulam


Hemerocallis flava, Liliaceae.                 Hemerocallis fulva e H. flava, Liliaceae.


Eu deixo meu cerrado de lado por um tempo... os hemerocallis  floridos me fizeram pensar no repertório de plantas utilizadas em paisagismo no Brasil nas ultimas 3 décadas. Comparada a nossa biodiversidade, era um repertório relativamente pequeno, o de espécies herbáceas. Entre elas, muito usadas e faceis de se encontrar e cultivar, o Hemerocallis flava e H. fulva.

Isto não e surpreendente, diríamos, são mesmo lindos!

Na Inglaterra, do final do século 18, isto não era diferente - a espécie era considerada uma das mais ornamentais flores de jardins. Folhear o livro abaixo, do Projeto Gutembeg, significa encontrar algumas velhas conhecidas nossas - The Botanical Magazine, vol. I or, Flower-Garden Displayed in which The most Ornamental Foreign Plants, cultivated in the Open Ground, the Green-House, and the Stove, are accurately represented in their natural Colours, 1787.

O uso tradicional do Hemerocallis possivelmente se iniciou antes de 2.697 a.c. pelos chineses (primeiros registros encontrados no Matéria Medica); flores usadas como alimento, com propriedades digestivas e nutritivas e na medicina as raízes e outras partes (crown). E possivelmente o genero tenha sido introduzido na Europa, via Ásia Menor, utilizado pelos antigos herbalistas, já descrito e ilustrado em 1500.
O gênero Hemerocallis foi uma das espécies descritas no Species Plantarum de Lineu, publicado em 1753;  o nome daylily, ou lírio do dia originado do grego (from the greek hemera day + kallos beauty, beauty for a day).

A trajetória da espécie Hemerocallis, mais que a historia dos jardins, deve-se ligar ao desenvolvimento do comércio de plantas ornamentais. Para os aficcionados e colecionadores os híbridos se multiplicaram, vale a pena dar uma olhada na coleção que chega a 60.000 cultivares nas sociedades existentes na Austrália, América, Canadá.
Um tanto quanto atrasados, considerando que esta produção de híbridos se inicia na década de 30, do século passado, na América do Norte, hoje não temos mais somente as duas variedades citadas, tão conhecidas em muitas cidades brasileiras. Basta ver o que se faz hoje com híbridos no sul do país, de 'encher' os olhos! 
Alem desta saga incomum para a grande maioria das espécies da flora, das propriedades medicinais, utilidades, beleza e reconhecimento em sua longa história de utilização, o gênero ganhou 'vida própria' e não mais pertence a família Liliaceae, mas sim a família Hemerocallidaceae.
Leia-se, ou veja-se, no site do American Society, a pagina Daylily dictionary sobre a morfologia e diferentes caracteristicas de híbridos, de certa forma reproduzida no desenho abaixo.

Eu voltarei ao ao desenvolvimento e produção de plantas resistentes e atrativas para o paisagismo, aqui no Brasil, como o Hemerocallis...




























Características botânicas – Flores
Fonte: Cultivo Comercial de Plantas Ornamentais – Antonio Fernando C. Tombolato – IAC (SP), 2004


Links: imagens: H. flava, Project Gutenberg - The Botanical Magazine, Vol. I Or, Flower-Garden Displayed in which The most Ornamental Foreign Plants, cultivated in the Open Ground, the Green-House, and the Stove, are accurately represented in their natural Colours., by W. Curtis, 1787.  H. fulva, Original book, Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz 1885, Gera, Germany.

Novembro 01, 2009

Yellow Daylily

"Considerai como crescem os lírios; nao trabalham, nem fiam; contudo digo-vos que nem Salomão, com toda sua glória, se vestia como um deles” ( Lucas, 12:27)

     Hemerocallis lilioasphodelus L., sin. Hemerocallis flava (Linneus, 1762), Hemerocallis lilioasphodelus flavus (L., 1753), Liliaceae

do Diário Espiritual, Pensamento Especial para Novembro:

Pelas muitas bênçãos que recebes, sê grato todos os dias, não apenas quando o calendário indicar o dia de Ação de Graças. A tua gratidão não deveria se basear na prosperidade material. Sejam tuas posses materiais muitas ou poucas, ainda assim és rico das dádivas de Deus. Ama-O, não pelas coisas que Ele te pode dar, mas pela dádiva d' Ele próprio doar-Se a ti como teu Pai.

Sayings of Paramahansa Yogananda.

Outubro 30, 2009

Primaveras

"Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."
 Cecília Meireles


Bougainvillea sp*, Bougainvilea arborea, Primavera,Nyctaginacea


As primaveras tão ao comuns na paisagem brasileira e brasiliense continuam enfeitando muros, avenidas e o nosso caminho. Continuam a ser, como escrevi aqui em outubro de 2007, Flores para o cotidiano.

Outubro 29, 2009

A cota de cada um



Técnicos do Ibram desenvolvem projetos para fixar valores monetários relativos à conservação de unidades ecológicas do DF. Ideia é incentivar responsabilidade social


por Helena Mader

Quanto vale um parque arborizado, cercado por uma vistosa vegetação? Qual é o preço de um córrego ou de um rio? Quanto custa uma estação ecológica, habitada por centenas de espécies da nossa fauna? Definir o valor econômico de bens ambientais não é uma tarefa fácil, mas essa estratégia é cada vez mais usada para preservar a natureza e os ecossistemas. Com base no valor estimado do Lago Paranoá, por exemplo, seria possível calcular as indenizações e compensações ambientais a serem pagas por conta de um crime ambiental, como o derramamento de esgoto ou de óleo. Apesar de complexas, as técnicas de valoração de bens naturais tornam os processos de licenciamento e fiscalização mais eficazes e objetivos, com menos brechas para contestações ou recursos.

Nos órgãos governamentais de meio ambiente, a metodologia está começando a ganhar adeptos. Aqui, 35 servidores do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) concluíram recentemente um curso sobre valoração ambiental, ministrado por Jorge Nogueira — professor do Departamento de Economia e um dos maiores especialistas do Brasil nesse assunto. A partir da experiência teórica, os técnicos do instituto vão começar a desenvolver dois importantes projetos: fixar um valor monetário para o Jardim Botânico de Brasília e para a Estação de Águas Emendadas(1), em Planaltina.

O presidente do Ibram, Gustavo Souto Maior, estuda o tema há mais de uma década. Em sua dissertação de mestrado, Gustavo fez a valoração da maior unidade ecológica da cidade, o Parque Nacional de Brasília, e da chamada Água Mineral, que fica dentro dos limites da reserva. A metodologia usada foi avaliar quanto a população estaria disposta a pagar para manter intacta a natureza no local. Pelo levantamento, o Parque Nacional teria o valor de R$ 28 milhões por ano. “Claro que isso não é um preço de mercado e que o parque jamais será vendido. Mas essa definição de valores faz a sociedade dar mais importância à unidade ecológica e ajuda também no cálculo de indenizações e compensações”, explica Gustavo.

Outra metodologia aplicada para estipular os preços simbólicos é a valorização imobiliária que surge a partir do bem ambiental. Em Brasília, há um bom exemplo disso: o Parque Olhos d’Água. Quando foi implantada, há 15 anos, a unidade trouxe um aumento de 20% no preço dos imóveis da região. Essa diferença pode ser classificada como o valor monetário da unidade ecológica. A simples expectativa de criação do Parque Burle Marx, na Asa Norte, gerou uma valorização de mais de 50% em alguns imóveis das quadras 900s. O alto preço dos apartamentos do Noroeste também pode ser parcialmente atribuído ao parque.

Impacto

O interesse em torno das metodologias de valoração econômica de bens ambientais cresceu no ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal definiu que os valores de compensações ambientais devem ter como base o “significativo impacto ambiental causado.” Até então, era usado um percentual fixo de 0,5% sobre o valor do empreendimento. “Mas esse método não é o mais adequado, porque uma empresa pequena ou um pequeno empreendimento também podem causar um dano ambiental grande”, destaca o superintendente de Licenciamento e Fiscalização do Ibram, Eduardo Freire. “O meio ambiente não tem que ser visto como um impeditivo para o desenvolvimento econômico. Ele não é um entrave, é uma possibilidade de investimento”, acrescenta Freire.

O professor Jorge Nogueira, da UnB, explica que vários fatores são usados para dar valor monetário a bens ambientais, alguns até subjetivos, como a qualidade de vida proporcionada pela natureza. “Uma empresa que poluísse a Baía de Guanabara, por exemplo, não deveria pagar apenas pela despoluição da área. Isso afeta o bem-estar das pessoas, tem impactos negativos nos hotéis, nas atividades turísticas. Tudo isso também tem que ser levado em consideração para valorar o bem ambiental”, esclarece o especialista.

Jorge Nogueira cita uma das aplicações mais famosas da técnica de valoração de bens e danos ambientais: o derramamento de óleo no Alasca em 1989, causado pela empresa Exxon. “O petroleiro deixou uma mancha de mais de 1 mil hectares, milhares de animais morreram e o prejuízo aos pescadores foi enorme. Com base no valor desse dano, a empresa foi multada em US$ 5 bilhões”, lembra Nogueira.

A advogada da Procuradoria Jurídica do Ibram Juliana Alves Ribeiro lembra que a definição de valores monetários para parques, unidades de conservação ou recursos hídricos pode ajudar a embasar decisões judiciais. “Critérios muito subjetivos abrem brechas para contestações. A valoração econômica, com seus critérios e metodologias científicas bem definidas, dá mais robustez aos processos”, justifica Juliana Alves.

Os servidores do Ibram estão otimistas quanto à aplicação das metodologias debatidas no curso. “Com a valoração ambiental, é possível darmos uma resposta à sociedade. É claro que os valores estabelecidos sempre vão ficar aquém dos reais prejuízos ao meio ambiente, já que muitos danos não são quantificáveis. Mas certamente será uma ferramenta importante para nós”, avalia técnica de licenciamento do Ibram Eliene Muniz.

1- Pesquisas ambientais

A Estação Ecológica de Águas Emendadas é uma das mais ricas unidades de conservação do Distrito Federal. Com uma área de 10,5 mil hectares, a reserva fica em Planaltina e foi transformada em estação ecológica em 1988. Lá são desenvolvidas pesquisas em ecologia e atividades de educação ambiental.
Foto: rio Paranoá, hoje bacia do Lago Paranoá.

Outubro 28, 2009

Ipomea azul


A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.»
Fernando Pessoa


Ipomoea purpurea L., Gloria da manhã, Convolvulaceae

A ipomea azul está em flor há alguns meses. Grandes flores em formato de gramofone, dobras, e vincos em baixo relevo  formam uma estrela, cor azul púrpura e miolo com halo rosado; apresentam-se solitárias ou em cachos; as folhas recortadas em 3 lóbulos, ou trilobadas, ao contrario de variedades ou híbridos que tem folhas cordiforme.

Outubro 27, 2009

Rosa de pau



           Merrenia tuberosa  (L.), Rosa de Pau, Convolvulaceae.

As chuvas trazem de volta, plantas que cobrem muros e árvores como esta trepadeira vigorosa de ampla dispersão nas regiões tropicais da Ásia, América tropical e África, considerada invasora. Possui floração vistosa como outras Ipomeas, flores geometricamente dobradas e folhas naturalmente recortadas com 7 lóbulos ou palmatilobadas; os frutos quando secos tornam-se cor de madeira, em formato de flor por isto o nome rosa-de-pau ou flor-de-pau. Alguns outros belos nomes populares são Honolulu rose, Ceylon Morning glory, ou Rosa de Madera.  A espécie é sinonímia de Ipomea tuberosa L., Operculina tuberosa L., Batatas tuberosa (L.) Bojer.

links: Merremia tuberosa in the Global Invasive Species Database;  Espécies do Gênero Merremia no Cerrado. A postagem é para Deise  do blog Quinta do Artesanato que enviou email sobre a Rosa, e faz belos trabalhos de artesanato com plantas.

Outubro 25, 2009

Jasmim *



Uma Apocynaceae, liana vigorosa e de flor delicada nas pedreiras do rio....



Outubro 24, 2009

Jenipapo


Genipa americana L, Jenipapo, Rubiaceae

Em postagem

Outubro 20, 2009

Frutos de Outubro, Jenipapo


frutos de Genipa americana, Jenipapo, Rubiaceae


A arvore do jenipapo é linda, arquitetura, folhagem, flores... e quantos aos frutos, são perfumados, abundantes, estranhos para uns e saborosos para outros. Os indígenas faziam excelente uso, a pintura corporal de cor negra, e nossas avós os licores.
Procurei no Come-se, alguma receita especial, mas em vão. Concordo que a fruta tem um retro gosto difícil de identificar.

Outubro 19, 2009

Sebes naturais




Descendo o Vale do Paranoá, sebes naturais de arbusto lenhoso, espinhoso, mais uma espécie desconhecida....




Outubro 18, 2009

Quaresmeirinha


Melastomataceae




Em meio aos pequenos poços e cachoeirinhas do rio Paranoá, hoje bacia do Lago Paranoá, a presença de algumas plantas palustres e aquáticas floríferas deixam mais alegre a borda d água!




Perto de muita água tudo é feliz.
Guimarães Rosa

A wild flower for  TODAY'S FLOWERS 62 !

Outubro 17, 2009

Uma Qualea ?!




Qualea dichotoma (Mart.) Warm., Pau Terra,  Vochysiaceae.





Árvore de mata de galeria e cerrado.  Ocorrem em mata galeria: Qualea densiflora Spreng., Qualea jundiahy Warm., Qualea kunthiana Adr. Juss., Qualea dichotoma (Mart.) Warm. var. elongata (Warm.) Stafleu.


Espécies do Gênero Qualea, Rede de Sementes do Cerrado, agradecimentos ao Manoel Claudio  pela id.

Outubro 15, 2009

Dia nacional do consumo consciente




Adote atitudes e encare o desafio por águas mais limpas, cidades mais limpas, um planeta mais limpo de sacolas plásticas! Todos os dias é dia de consumo consciente!

Every day is Blog Action Day!

Outubro 14, 2009

Ingá feijão



Inga laurina (Sw.) Willd, Ingá-branco, Leguminosae.

Na mata ciliar existente no antigo leito do rio Paranoá a presença do genero Ingá é comum. Os ingazeiros são freqüentes nas bordas de matas ciliares, fonte de alimentos para ictiofauna e avifauna.

Reconhecer espécies desta numerosa família não é uma tarefa fácil para leigos, para mim um aprendizado, contínuo. Parte das espécies, numerosas, do gênero Ingá possui raque alada, folhas compostas e pilosidades. Outra parte possui folhas glabras, compostas de formas variadas. Os frutos mais comuns são longos cilíndricos, estriados, ao contrario do Ingá branco, cor dos frutos quando maduros, pequenos e com poucas sementes, formato de um grande amendoim ou feijão.

O ingá feijão, ingá branco é atualmente uma das espécies mais comuns e utilizadas na arborização do Plano piloto e outras cidades do DF. A espécie é muito adequada ao meio urbano, embora do ponto de vista ornamental, sua maior atração seja os frutos brancos numerosos, pequenos, abundantes e alimento atrativo de inúmeras espécies de pássaros.

Outubro 13, 2009

Ingá





Inga sp, Ingázeiro, Leguminosae

Nas pedreiras do Rio Paranoá, o ingázeiro encontrou um espaço entre as rochas.

Árvore de copa arredondada, folhas compostas por 8 a 10 folíolos, ovalados, com nervuras salientes na parte inferior e impressas na parte superior, pilosas. O eixo dos folíolos (raque) tem projeções laterais (alas) e glândulas interpeciolares.
A espécie identificada com folíolo ovalado não possui ocorrência no DF, o Ingá speciosa.

PEC - CERRADO

Precisamos da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 115/1995) e transformar em Patrimônio Nacional o Cerrado e a Caatinga, a exemplo da Amazônia, da Mata Atlântica e do Pantanal. O alerta e o video foram publicados no blog desde 2007. O tema voltou a pauta e o CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE aprovou MOÇÃO no 096, em 09 de Abril de 2009, leia abaixo: